Receba Novidades

Receba as novidades por e-mail:



terça-feira, 5 de abril de 2011

O desafio de manter o jurídico como um departamento estratégico

Até pouco tempo, o departamento jurídico tinha a fama de ser apenas um “mal necessário”, as empresas o viam como um departamento a parte, um patinho feio, sempre associado a coisas negativas. No entanto, felizmente, hoje essa visão mudou bastante e, em muitas empresas, o jurídico conquistou o tão sonhado espaço entre os departamentos estratégicos.

Essa mudança aconteceu não só porque as empresas evoluíram, mas também (e principalmente) porque o perfil dos profissionais do jurídico mudou bastante. Deixamos de ser apenas advogados para sermos gestores dos assuntos jurídicos da empresa, com duas grandes vantagens: o conhecimento técnico e do negócio.

A partir daí, as próprias empresas passaram a perceber que estavam subaproveitando seus advogados internos e estes foram alçados à categoria de estratégicos, envolvendo-os em praticamente todos os assuntos da empresa.

Porém, uma vez lá, é preciso batalhar para manter a condição de estratégico, ou seja, é necessário ser permanentemente visto pela empresa como tal, afinal, esta ainda não é uma conquista consolidada.

Cada departamento, obviamente, tem suas armas para essa luta diária, mas imaginamos que algumas dicas valem para todos, como por exemplo:

- ministrar treinamentos para outras áreas: é fácil para o jurídico identificar quais áreas e assuntos são mais problemáticos para a empresa. Com essas informações, basta desenvolver o treinamento e oferecê-lo para o público alvo.

- criar ferramentas que facilitem a rotina do departamento jurídico: os membros do departamento precisam guardar maior parte de seu tempo e energia para as questões estratégicas da empresa, desta forma, é importante que as questões do dia a dia sejam resolvidas com mais rapidez. Sistemas de busca de pareceres antigos, contratos padrão, arquivo de cláusulas, check list, etc, são boas ferramentas que facilitam a vida dos advogados internos.

- alinhar os advogados externos aos objetivos do departamento: os advogados externos são a extensão do departamento jurídico, seja perante o juiz ou mesmo perante a filial e assim devem se sentir. Para isso, é importante que conheçam a fundo as políticas do departamento e seus principais objetivos, o que só pode ser conseguido através de uma boa comunicação entre os grupos, principalmente, se os advogados estão espalhados por todo o Brasil. Uma dica é organizar um encontro anual com todos os advogados ou procurar manter reuniões periódicas com cada um, a fim de manter o grupo sempre alinhado.

- fazer pesquisas internas de satisfação: é importante buscar um feedback regular dos trabalhos do departamento jurídico, pois muitas vezes ficamos tão envolvidos no dia a dia que esquecemos de buscar a opinião de quem mais importa, o cliente interno. Os resultados da pesquisa podem ser confirmadores do trabalho do departamento ou ajudar a identificar espaços de melhoria.

- estar sempre por dentro do que acontece na empresa: para estar sempre conectado com as estratégias da empresa, o departamento jurídico precisa saber o que está se passando com ela. Como está o resultado? Quais são as ameaças e as oportunidades? Com esse conhecimento, o departamento jurídico pode descobrir como e de que forma agir para contribuir de fato com a empresa.

- estar sempre por dentro do que acontece fora da empresa: é sempre recomendável que se faça um benchmarking, ou seja, verificar o que os outros departamentos jurídicos estão fazendo, através da leitura de artigos, participação em eventos jurídico-corporativos, palestras, cursos, fóruns, etc.

- alocar cada membro do departamento jurídico na posição correta: é preciso conhecer profundamente as habilidades e competências de cada membro da equipe do jurídico para, assim, ter certeza que todos estão na posição correta, sob pena de ter equipe insatisfeita e alto turnover.

- divulgar os sucessos do departamento jurídico e contabilizar as vitórias: para que a velha idéia de que o departamento jurídico é apenas centro de custo seja finalmente abandonada, é preciso apresentarmos as vitórias do departamento através de números, pois só assim é possível tangibilizar o que, por conceito, é intangível, o conhecimento.

- fazer um planejamento estratégico específico para o departamento: o departamento precisa pensar e agir como empresa. Quais serão as metas? Como atender o previsto no budget? Quais os pontos fortes e fracos do departamento? É recomendável que o departamento promova uma reunião de planejamento estratégico uma vez ao ano e, regularmente, realize reuniões para acompanhamento do que foi planejado.

- estimular a criatividade entre os membros do departamento: incentivar os advogados internos a buscar o diferente, a encontrar novas soluções para velhos problemas da empresa, a ousar, a sair do básico. Ouvir e apoiar os novos projetos são atitudes importantes quando se busca criar uma cultura de criatividade no departamento.

Claro que não existem fórmulas prontas e cada departamento deve verificar o que melhor se encaixa na sua realidade. Porém, se tivermos de escolher apenas uma dica, entre todas, optamos pela última, pois acreditamos ser esta a mais preciosa. Criatividade na solução dos problemas, em nossa visão, é a chave para um departamento jurídico estratégico e de sucesso.

Ana Amélia Abreu:
Advogada e coordenadora jurídica da ThyssenKrupp Elevadores, especialista em Direito Empresarial e em Direito Internacional, mestre em Direito Internacional pela UFRGS e membro do Comitê de Departamentos Jurídicos do RS.

3 comentários:

Marcos Gabrijelcic Fraga disse...

O artigo espelha uma visão moderna, do que efetivamente se busca em um departamento jurídico estratégico e, em especial, nas ações dos profissionais que o compõe.
Se o ali apontado for alcançado e, como muito bem posto, mantido, não há que se falar em um "mal necessário", mas sim no departamento jurídico como um "bem indispensável". Parabéns pelo artigo.

Roberta Dantas disse...

Ótimo artigo!
Atualmente com a explosão de escritório que prestam serviços de apoio jurídico, na forma de correspondentes, há uma preocupação ( desses escritórios)de melhorar e ampliar sua atuação, sem contudo aumentar seu custo( já que o mesmo é em geral limitado pelo contrato de prestação de serviços que detém com o cliente). Eu passo por essa questão nesse momento e ainda não descobri a melhor forma de resolver essa equação.Por isso peço a vocês sugestões nesse sentido.
obrigada
Roberta Dantas

Anônimo disse...

Assunto oportuno e adequado à demanda empreaarial atual, voltada para um mercado globalizado. Creio que o jurídico permanecerá em lugar estratégico dentro da empresa enquanto manter atualizados os seus conhecimentos técnicos e do negócio. Parabéns pelo artigo.
João Andreola - Albany, NY (USA)